São Paulo vive boom de verticalização e bate marca de 31 mil prédios

Com forte expansão de condomínios, setor movimenta R$ 25 bilhões ao ano e transforma a paisagem urbana da capital
A verticalização em São Paulo impulsiona o mercado de condomínios e transforma a cidade. Número de prédios cresce 35% em uma década e setor movimenta R$ 25 bilhões ao ano.
São Paulo vive boom de verticalização e bate marca de 31 mil prédios

Matéria publicada originalmente por Lucas Agrela, O Estado de S. Paulo – A cidade de São Paulo segue em ritmo acelerado de verticalização, com um número crescente de moradores optando por apartamentos. Segundo o levantamento “Mapa dos Condomínios 2025”, realizado pela administradora Lello, a capital paulista ganhou 7 mil novos edifícios nos últimos dez anos, atingindo o total de 31.747 prédios.

Esse crescimento de 35% desde 2014 foi impulsionado, sobretudo, pela construção de imóveis residenciais, que representam 92% do total de novos edifícios — os demais 8% são comerciais ou de uso misto. Com a expansão, o setor condominial já movimenta aproximadamente R$ 25 bilhões ao ano em São Paulo.

Em 2024, a cidade registrou um recorde: 818 novos condomínios foram entregues, número influenciado pelo represamento de obras durante a pandemia de covid-19. A previsão para 2025 é de 550 novas entregas, número que pode variar conforme o andamento das construções.

A Zona Sul lidera o processo de verticalização em São Paulo, concentrando 39% dos novos empreendimentos. Na sequência estão as zonas Leste (23%), Oeste (16%), Norte (14%) e Central (8%). A expansão urbana segue diretrizes do Plano Diretor de 2014, que prioriza construções próximas a corredores de transporte público, especialmente para habitação de interesse social.

A média dos condomínios na cidade é de 1,69 blocos e 75 apartamentos por empreendimento, mas há diferenças entre as regiões. As zonas Norte e Leste apresentam os maiores conjuntos habitacionais, com médias de 118 e 103 unidades, respectivamente. Já a Zona Sul registra os menores, com cerca de 58 apartamentos por condomínio.

A taxa média de condomínio na capital é de R$ 983 por mês, somando quase R$ 12 mil ao ano. No entanto, os valores variam bastante entre as regiões. A Zona Sul lidera com o custo mais alto (R$ 1.198), enquanto a Zona Leste apresenta o menor valor médio (R$ 701). As zonas Oeste, Norte e Central ficam entre esses extremos.

Segundo Angélica Arbex, diretora de marketing da Lello, o valor da taxa condominial é impactado principalmente pelo número de unidades por prédio e pela folha de pagamento, que pode representar até 50% dos custos mensais. Ela ressalta a importância de manter o equilíbrio financeiro: economias mal planejadas podem levar à desvalorização do imóvel.

Além da valorização dos imóveis, a verticalização em São Paulo também impulsiona outros setores, como o de administração condominial e o mercado imobiliário. De acordo com o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, a construção de novos prédios tem gerado boas oportunidades para corretores, apesar das dificuldades enfrentadas nas vendas de imóveis usados, especialmente após as restrições do Minha Casa Minha Vida.

Do ponto de vista urbanístico, especialistas como o arquiteto João Fernando Pires Meyer (FAU-USP) destacam que adensar as áreas próximas ao transporte público é uma forma eficiente de conter o crescimento desordenado para as periferias e seus impactos econômicos e ambientais. No entanto, ele aponta distorções, como o uso desses espaços por populações de alta renda que continuam utilizando carros, o que vai contra o objetivo inicial do Plano Diretor.

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