Túnel submerso entre Santos e Guarujá avança com edital de licitação; obra deve ficar pronta em 2031

Projeto inédito no Brasil, com investimento de R$ 6 bilhões, promete revolucionar a conexão entre as cidades da Baixada Santista. Leilão está marcado para 1º de agosto.
Lula e Tarcísio lançam edital para túnel submerso entre Santos e Guarujá, obra de R$ 6 bilhões que deve ser concluída em 2031. Entenda os detalhes do projeto.
Túnel submerso entre Santos e Guarujá avança com edital de licitação; obra deve ficar pronta em 2031

Matéria publicada originalmente por Giovanna Castro, O Estado de S. Paulo – Nesta quinta-feira (27), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participaram juntos do lançamento do edital de licitação para a construção e operação do túnel submerso Santos-Guarujá, a primeira obra do tipo no Brasil. O leilão está marcado para 1º de agosto, e a previsão de entrega do túnel, idealizado há cerca de 100 anos, é 2031.

A obra, orçada em R$ 6 bilhões, será financiada por recursos do Estado de São Paulo, da iniciativa privada e da União, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O método construtivo escolhido é inédito no país e envolve a fabricação de peças de concreto que flutuam até o local do túnel, onde são afundadas e aterradas.

Por que o túnel é importante?

A conexão entre Santos e Guarujá é uma demanda antiga da população local, turistas e empresas de transporte. Atualmente, a travessia entre as duas cidades é feita por balsas, o que gera congestionamentos e limita a logística na região.

O túnel terá 1,5 quilômetros de extensão, com 870 metros submersos a uma profundidade de 21 metros. A estrutura contará com três segmentos: dois para veículos (um em cada sentido) e um exclusivo para Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), pedestres e ciclistas.

Método construtivo inovador

A construção do túnel submerso exigiu uma solução tecnológica avançada, já que o solo subaquático de Santos não permite a perfuração tradicional. O método escolhido, conhecido como immersed tube tunnel (ITT), é utilizado em países como Holanda, Alemanha, Dinamarca e Estados Unidos.

No processo, os engenheiros escavam uma vala no fundo do estuário e constroem peças de concreto com bolsas internas cheias de ar, que permitem a flutuação. Essas peças são posicionadas no local do túnel e, em seguida, a água é injetada nas bolsas, fazendo com que afundem. Após o afundamento, as peças são conectadas e aterradas, mantendo a navegação no local sem interferências.

Impacto econômico e logístico

Além de facilitar o transporte de pessoas, o túnel permitirá a passagem de caminhões de carga, atendendo à demanda do Porto de Santos, o maior da América Latina. A obra deve impulsionar o desenvolvimento econômico da Baixada Santista, além de reduzir o tempo de travessia entre as cidades.

Próximos passos

O leilão para escolha da empresa responsável pela obra está marcado para 1º de agosto. Após a licitação, a expectativa é que as obras comecem ainda em 2025, com previsão de conclusão em 2031.

Expansão do método no Brasil

São Paulo é o primeiro estado a adotar a tecnologia de túneis submersos, mas o método já está sendo considerado para outros projetos no país. Em Santa Catarina, por exemplo, um mega túnel de 11 municípios também deve utilizar a mesma técnica.

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