Como a Tenda encontrou uma solução eficiente para produzir casas no interior de SP
Matéria publicada originalmente por Lucas Agrela, O Estado de S. Paulo – Os principais players do mercado imobiliário listados na Bolsa de Valores, como MRV, Cyrela e Cury, focam na construção de edifícios residenciais, oferecendo apartamentos aos consumidores. No entanto, a Alea, subsidiária da Tenda, se destaca ao construir casas no âmbito do programa Minha Casa Minha Vida, principalmente no interior de São Paulo.
A construção massiva de casas enfrenta desafios como a escassez de terrenos e a complexidade das obras, fatores que muitas vezes dificultam a lucratividade. Para superar esses obstáculos, a Alea desenvolveu um método eficiente de construção de casas, utilizando um sistema off-site, onde 70% do trabalho é realizado em sua fábrica em Jaguariúna (SP). Cada casa tem 44 metros quadrados, com dois quartos, um banheiro e uma vaga de garagem, custando em média R$ 186 mil.
Luis Martini, chefe de operações da Alea, explica em entrevista ao Estado de S. Paulo que a empresa foi criada com base em dados que mostram a preferência dos brasileiros por casas. “Nossas pesquisas, em parceria com a Deloitte, revelam que 70% dos brasileiros preferem morar em casas, e que 70% dos financiamentos imobiliários são destinados a esse tipo de moradia,” afirma Martini. No interior, essa preferência chega a 90%.
No cenário das incorporadoras brasileiras, a maioria se dedica à construção de edifícios. “Identificamos uma grande oportunidade de mercado para oferecer casas no interior, onde há uma demanda significativa e pouca oferta estruturada,” ressalta Martini.
Dados do Creci-SP indicam que a preferência por casas no interior de São Paulo se deve à limitada oferta de apartamentos e à maior qualidade de vida, com mais espaço e privacidade. A Alea utiliza o método woodframe, amplamente usado no Canadá, EUA e Europa, para a construção de suas casas, um sistema que emprega madeira de forma intensiva e ainda é pouco explorado no Brasil.
A fábrica da Alea tem capacidade para produzir até 10 mil casas por ano, o que equivale a uma casa a cada 36 minutos. Desde 2022, a Tenda acelerou o projeto Alea, lançando 403 casas inicialmente e expandindo para 2.116 casas em 20 cidades do interior de São Paulo no ano seguinte. Em 2024, a meta é lançar entre 2.500 e 3.000 novas casas.
Este modelo de negócios é o que mais cresce na operação da Tenda, com a expectativa de que a Alea comece a gerar caixa a partir de 2026. Martini destaca que “a construção de uma casa não é simples. Para ser viável, o projeto precisa ser grande, com cerca de 1.500 unidades. Nosso método permite uma construção rápida e eficiente, com uma equipe reduzida no canteiro de obras.”
Nos projetos de vilas da Alea, apenas as áreas comuns, como quadras, salões de festa e academias, são construídas de maneira convencional. As casas são destinadas ao público de baixa renda, nas faixas 1 e 2 do programa Minha Casa Minha Vida, e esse continuará a ser o foco principal da empresa.
Enquanto isso, em regiões metropolitanas como São Paulo, a Tenda mantém seu foco em empreendimentos verticais, seguindo a tendência dos outros grandes nomes do setor. Além de São Paulo, a Alea já está expandindo suas operações para Minas Gerais e Paraná, consolidando seu modelo inovador de construção de moradias populares.
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