Número de trabalhadores na construção civil cresce quase 40% em cinco anos, aponta Caged
Matéria publicada originalmente por Agência CBIC – O setor da construção civil continua a ser um dos principais motores de geração de empregos no Brasil. De acordo com dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados pelo Ministério do Trabalho, o segmento fechou 2024 com 2.858.990 trabalhadores formais, um aumento de 4,04% em relação ao ano anterior. No total, foram criadas 110.921 novas vagas com carteira assinada, resultado da diferença entre 2.430.272 admissões e 2.319.351 desligamentos.
Crescimento em todos os segmentos
Todos os três segmentos da construção civil registraram resultados positivos em 2024. A construção de edifícios foi responsável por 45.837 novos empregos, enquanto as obras de infraestrutura geraram 4.567 vagas. O destaque ficou com os serviços especializados, que criaram 60.517 postos de trabalho, representando um crescimento de 6,39% em relação a 2023.
Aumento de 38,88% em cinco anos
Nos últimos cinco anos, o setor da construção civil gerou 800.378 novos empregos formais, um crescimento de 38,88% desde 2020, quando o país enfrentou os primeiros impactos da pandemia. No início de 2020, o setor contava com 2.058.612 trabalhadores formais, número que saltou para 2.858.990 no final de 2024. Esse desempenho representou 10,32% do total de vagas criadas em todas as atividades econômicas no período.
Desafios em 2024
Apesar do crescimento, o número de empregos gerados em 2024 foi 29,09% menor que em 2023. A principal razão para essa queda foi a redução acentuada no segmento de infraestrutura, que passou de 47.163 vagas criadas em 2020 para apenas 4.567 em 2024 — uma queda superior a 90%. Esse declínio está relacionado ao encerramento de obras iniciadas em 2023, ano pré-eleitoral que impulsionou o setor.
Estados com maior geração de empregos
Os estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás lideraram a criação de novas vagas na construção civil em 2024. Por outro lado, Bahia, Rondônia, Piauí e Mato Grosso do Sul foram os únicos a registrar saldo negativo no mercado de trabalho do setor.
Sazonalidade e desaceleração
Nos últimos três meses de 2024 (outubro, novembro e dezembro), o setor registrou um saldo negativo, com o número de demissões superando o de admissões. Embora essa tendência seja comum no final do ano devido à sazonalidade, a desaceleração foi mais acentuada em comparação com 2023.
Perspectivas para 2025
Apesar dos desafios, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) estima um crescimento de 2,3% nas atividades do setor em 2025, o que deve contribuir para a criação de novos empregos. No entanto, a elevação da taxa Selic, que atingiu 13,25% no início de 2025, preocupa os empresários. Taxas de juros altas aumentam o custo do crédito, desestimulam investimentos e podem levar ao adiamento de novos projetos.
Impacto do Minha Casa, Minha Vida
O retorno das obras do programa Minha Casa, Minha Vida foi um dos fatores que impulsionaram o setor em 2024. No entanto, os empresários apontam as altas taxas de juros como o principal problema, conforme revelou a Sondagem Indústria da Construção, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com apoio da CBIC. No último trimestre de 2024, 34,1% dos empresários citaram os juros elevados como um obstáculo, um aumento de 8,7 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.


