Governo de SP prevê comprar 5,8 mil imóveis no centro e em mais regiões

Objetivo da aquisição junto à iniciativa privada é garantir agilidade na oferta habitacional; prioridade são as famílias de baixa renda
Governo de SP prevê comprar 5,8 mil imóveis no centro e em mais regiões

Matéria publicada originalmente por Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo – A gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou planos de adquirir 5,8 mil imóveis na cidade de São Paulo, com 2,5 mil localizados no centro, para serem repassados a famílias que necessitam de moradia.

O investimento total é de R$ 600 milhões e faz parte de um esforço maior de revitalização da região central, que enfrenta desafios como o aumento da criminalidade, usuários de drogas e moradores de rua, além de comércios fechados. Essa ação faz parte de uma série de medidas que visam reverter o cenário de abandono e promover o adensamento habitacional no centro de São Paulo.

O processo para aquisição desses imóveis já começou, com um edital lançado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDUH) e pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). A chamada ao mercado está aberta até 11 de outubro e poderá ser prorrogada. As unidades estão distribuídas da seguinte forma:

  • 2,5 mil imóveis na região central (distritos como Bela Vista, Brás, Consolação, Liberdade, Pari, entre outros);
  • 800 unidades nas proximidades da Avenida Jornalista Roberto Marinho, na zona sul;
  • 2,5 mil unidades espalhadas por outras regiões da cidade.

O déficit habitacional de São Paulo é estimado em 369 mil domicílios, entre moradias novas, reabilitadas ou viabilizadas, e os imóveis no centro fazem parte de uma estratégia essencial para sanar parte desse problema. Após a aquisição, os imóveis serão financiados pela própria CDHU, com preços variando entre R$ 210 mil e R$ 250 mil, facilitando o acesso à moradia para famílias de baixa renda.

No âmbito da prefeitura, desde 2021, mais de 48 mil moradias populares foram licenciadas, sendo 39 mil destinadas a famílias com renda de até seis salários mínimos. Além disso, a gestão municipal já desapropriou cinco imóveis ociosos no centro para transformá-los em habitação, parte de uma meta de 72 mil novas moradias até o fim de 2024.

Embora o déficit habitacional afete toda a cidade, o centro de São Paulo é o foco de grandes esforços de revitalização, especialmente após o aumento da população de rua durante a pandemia. De acordo com o Censo de 2021, 40% dos 31,9 mil moradores de rua da cidade vivem no distrito da Sé. A região central também concentra o maior número de imóveis desocupados, com mais de 58,7 mil domicílios sem uso, segundo o IBGE.

Com iniciativas como a criação do novo centro administrativo na Praça Princesa Isabel, que abrigará órgãos estaduais e cerca de 22 mil servidores, a expectativa é de que o centro atraia mais moradores e investimentos. Além disso, 800 novas unidades habitacionais serão adquiridas na área da Avenida Jornalista Roberto Marinho, outra região que enfrenta desafios de revitalização e insegurança devido aos atrasos nas obras da Linha 17-Ouro do monotrilho.

A retomada das obras e a entrega dos novos imóveis no centro podem representar um impulso significativo para a revitalização dessas áreas, promovendo segurança, qualidade de vida e o resgate da economia local.

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