Setor imobiliário propõe mudanças na reforma tributária para reduzir impacto fiscal

Teor do projeto enviado pelo governo ao Congresso terá reflexo no preço final das moradias, dizem representantes do setor de construção e incorporação, que pedem desconto em alíquota
O setor de construção e incorporação imobiliária busca alterações na reforma tributária para evitar aumento na carga de impostos.
Setor imobiliário propõe mudanças na reforma tributária para reduzir impacto fiscal

Matéria publicada originalmente por Circe Bonatelli, O Estado de S. Paulo – Os líderes do setor de construção e incorporação imobiliária estão se mobilizando para alterar a proposta de reforma tributária enviada pelo governo federal ao Congresso. Eles argumentam que o projeto atual aumentará a carga tributária sobre suas atividades.

Na última semana, representantes do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), do Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano (Aelo) se reuniram com Bernard Appy, secretário extraordinário da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda, e outros membros dos grupos de trabalho para discutir o tema.

Os empresários apresentaram simulações que indicam que a carga tributária sobre um imóvel de R$ 200 mil passaria dos atuais 6,41% para 7,9% após a reforma, considerando o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição Sobre Bens Serviços (CBS) já incluídos. O aumento seria ainda mais acentuado para imóveis de maior valor. Para um imóvel de R$ 500 mil, a carga tributária subiria de 8% para 14%; para um de R$ 1 milhão, de 8% para 15,8%; e para um de R$ 2 milhões, de 8% para 16,3%. Estudos também apontam um aumento de 226% na carga tributária para loteamentos e uma elevação de cerca de 11% nas atividades de locação de imóveis.

Os representantes das construtoras e incorporadoras propuseram aos parlamentares e membros do governo um desconto de 60% na alíquota dos impostos em discussão na reforma tributária, em vez dos 20% sugeridos pelo projeto do governo. Dessa forma, a carga tributária do setor permaneceria inalterada, segundo eles.

A proposta de regulamentação da reforma apresentada pelo governo prevê um desconto de 20% na alíquota dos novos tributos para o setor da construção, cuja média geral é estimada em 26,5% para a soma de CBS e IBS. Nesse cenário, o imposto a ser pago seria de 21,2%, equivalente a 80% da alíquota cheia.

Além disso, o setor solicitou que fique claro que o IBS e a CBS só serão devidos no momento do recebimento dos valores, seguindo o regime de caixa. Também defenderam a existência de regimes optativos: um baseado no sistema não cumulativo de IBS e CBS, com amplo direito a crédito, e outro baseado na tributação da receita, sem direito a crédito.

Outro ponto importante levantado foi que as operações tributadas pelo IBS não sejam tributadas pelo Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), e vice-versa. A forma de evitar essa dupla tributação seria por meio da comprovação do recolhimento do tributo.

Encontro na Câmara

Na tarde de terça-feira (18/06), a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apresentou dados para demonstrar os potenciais efeitos da reforma tributária sobre o setor da construção e avançou no diálogo com o governo federal e a Câmara dos Deputados. As simulações foram discutidas durante uma reunião técnica com a Mesa de Diálogo do Grupo de Trabalho que analisa o Projeto de Lei 68/2024. Além de parlamentares, participaram do encontro o secretário Bernard Appy e sua equipe, bem como integrantes do Projeto Reforma Tributária, composto por diversas entidades associadas.

“Foi uma conversa muito produtiva, onde pudemos apresentar cálculos que demonstram nossa preocupação com a neutralidade tributária”, comentou Renato Correia, presidente da CBIC, em entrevista para a Agência da entidade. “Teremos mais uma rodada técnica para aprofundar os cálculos e buscar um denominador comum.” Uma nova reunião será marcada para avançar na análise de dados e cálculos sobre a tributação do setor da construção.

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