Preço de imóveis novos deve subir com o reajuste de materiais de construção e mão de obra

Aquecimento do mercado imobiliário vem encarecendo insumos e elevando os salários dos trabalhadores do setor
O preço de imóveis novos tende a subir devido à pressão dos custos de materiais e mão de obra na construção civil, impulsionados pelo câmbio e demanda crescente.
Preço de imóveis novos deve subir com o reajuste de materiais de construção e mão de obra

Matéria publicada originalmente por João Sorima Neto, O Globo – O mercado imobiliário aquecido está elevando os custos de materiais de construção e pressionando os salários no setor, o que pode refletir em novos aumentos no preço de imóveis novos nos próximos meses. Com margens de lucro cada vez mais ajustadas, construtoras já cogitam repassar esses custos aos valores finais, alertam analistas e representantes do setor.

Nos últimos 12 meses até setembro, o reajuste de preços dos materiais de construção atingiu 5,48%, superando os 3,21% registrados no ano anterior. Já os custos com mão de obra subiram 7,7%, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, avançou 4,42% no mesmo período.

Um relatório recente do Itaú BBA destaca que o aumento dos preços dos materiais deve impactar especialmente as construtoras voltadas para o público de baixa renda, participantes do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que representa aproximadamente metade das vendas de imóveis novos.

Cotação de commodities

Outro ponto de pressão sobre os custos está atrelado às cotações internacionais de commodities, como minério de ferro, alumínio e aço, que estão sujeitas a variações cambiais. Isso implica que, mesmo com preços de venda pré-definidos, construtoras continuam a enfrentar elevações de custo sempre que o dólar se valoriza frente ao real.

Com o aquecimento da construção civil, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) revisou sua projeção de crescimento para 2024, de 2,3% para 3,5%, impulsionando ainda mais a demanda por insumos. A expectativa para a venda de materiais de construção em 2024 também foi revista, passando de um crescimento de 3% para 4,5%, de acordo com a pesquisa da FGV em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat).

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