Percepção de que imóveis estão caros é a maior em uma década; intenção de compra cai

Saiba mais sobre as tendências do mercado imobiliário e o impacto no preço dos imóveis
Pesquisa aponta queda na intenção de compra de imóveis no Brasil e uma crescente percepção de que os preços estão elevados.
Percepção de que imóveis estão caros é a maior em uma década; intenção de compra cai

Matéria publicada originalmente por Circe Bonatelli, O Estado de S. Paulo – A recente pesquisa sobre a intenção de compra de imóveis no Brasil indica uma possível desaceleração no mercado imobiliário nos próximos meses, juntamente com uma crescente percepção de que os preços dos imóveis estão elevados.

De acordo com o Raio-X Fipezap, divulgado na última terça-feira, dia 20, apenas 35% dos participantes manifestaram intenção de adquirir um imóvel nos próximos 12 meses durante o segundo trimestre. Esse percentual é inferior ao registrado no primeiro trimestre, quando 40% das pessoas expressaram essa intenção. Este é o nível mais baixo desde o primeiro trimestre de 2020, quando a pandemia de Covid-19 teve um impacto significativo na economia brasileira.

Simultaneamente, a pesquisa revelou um aumento na percepção de que os preços dos imóveis estão “altos ou muito altos”. No segundo trimestre, 79% dos entrevistados compartilharam essa visão, comparado a 68% no primeiro trimestre. Esse nível de percepção é o mais alto em quase dez anos, conforme apontado pelo Raio-X Fipezap.

Além disso, apenas 15% dos entrevistados consideraram que os preços estão em um “nível razoável”, o menor percentual em uma década. Apenas 3% acreditam que os preços dos imóveis estão “baixos ou muito baixos”.

A pesquisa, realizada entre 10 de julho e 5 de agosto de 2024, contou com a participação de 646 pessoas usuárias dos portais Zap e Viva Real. Entre os respondentes, 62% são homens, 82% têm 41 anos ou mais, e 57% possuem renda domiciliar mensal igual ou inferior a R$ 10 mil.

Entre os que estão procurando um imóvel, 28% acreditam que os preços continuarão a subir, 26% acham que os preços se manterão estáveis e 14% esperam uma redução. Outros 31% não souberam opinar sobre a tendência futura dos preços.

Dentro deste grupo interessado na compra de um imóvel, 86% têm como objetivo a moradia, enquanto 14% veem a compra como um investimento (seja para aluguel ou revenda futura) – números que estão alinhados com as médias históricas da pesquisa. Quanto ao tipo de imóvel, 46% preferem imóveis usados, 45% são indiferentes entre novos e usados, e 9% estão em busca exclusivamente de unidades novas.

Aumento nos preços dos imóveis

De fato, os preços dos imóveis estão em ascensão. Em julho, o preço médio dos imóveis residenciais anunciados no Brasil aumentou 0,76%, marcando a maior alta para o setor em mais de dez anos. No acumulado dos últimos 12 meses até julho, houve um aumento de 6,53%, de acordo com o Índice Fipezap, pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com base nos anúncios de imóveis residenciais prontos.

Essa pesquisa reflete os valores pedidos pelos imóveis, não os valores efetivamente negociados, e foi divulgada no início de agosto.

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