Negócios com imóveis comerciais movimentam R$ 4,8 bi no 1º trimestre, mesmo com juros altos
Matéria publicada originalmente por Circe Bonatelli, O Estado de S. Paulo – O setor de imóveis comerciais começou 2025 em ritmo acelerado, com negócios relevantes mesmo diante da pressão dos juros. De acordo com um relatório da consultoria CBRE, as transações com ativos de alto padrão — como shoppings, centros logísticos e edifícios corporativos — movimentaram R$ 4,8 bilhões entre janeiro e março. O valor representa uma queda de apenas 10% em relação ao mesmo período de 2024, surpreendendo positivamente o mercado.
Entre os destaques do trimestre estão os investimentos do fundo XP Mall, que adquiriu participações nos shoppings Plaza Sul, Carioca e Tijuca por R$ 396 milhões. Já o fundo Capitania Office desembolsou R$ 513 milhões para adquirir uma fatia do Condomínio Faria Lima Plaza, em São Paulo — uma das regiões mais valorizadas do país para imóveis corporativos.
Boa parte dessas negociações tem sido viabilizada por fundos imobiliários (FIIs) que, com recursos de captações anteriores ou novas rodadas pontuais, aproveitam oportunidades únicas de aquisição. Esses fundos têm se beneficiado de estruturas mais flexíveis de negociação, como pagamento via cotas em vez de dinheiro, seller finance (com parcelamento direto) e emissão de cotas sênior e subordinadas — modelos que atraem diferentes perfis de investidores.
Outro elemento que estimula o mercado é a liquidez gerada por fundos que encerram seus ciclos de investimento, geralmente entre seis e oito anos. Nesses casos, os cotistas buscam retorno do capital ou realocação de recursos para novos empreendimentos, o que aumenta a oferta de ativos de qualidade.
No segmento logístico, o cenário também é promissor. A locação de galpões em São Paulo cresceu 53% no primeiro trimestre, totalizando 577 mil m². A taxa de vacância recuou para 9%, o que favorece a valorização dos aluguéis. Além disso, o número de projetos em desenvolvimento na área logística segue em expansão, acompanhando a demanda crescente por infraestrutura de distribuição.


