Caixa vai exigir entrada maior na compra de imóvel de até R$ 1,5 milhão; entenda

A Caixa Econômica Federal aumenta a entrada mínima exigida para financiamento imobiliário a partir de novembro de 2024, refletindo a escassez de recursos da poupança e as novas condições de crédito
A Caixa Econômica Federal aumentará a entrada mínima exigida para financiamento de imóveis a partir de 1º de novembro de 2024, refletindo escassez de recursos da poupança.
Caixa vai exigir entrada maior na compra de imóvel de até R$ 1,5 milhão; entenda

Matéria publicada originalmente por Matheus Piovesana e Circe Bonatelli, Estadão Broadcast – A partir de 1º de novembro de 2024, a Caixa Econômica Federal implementará novas regras para o financiamento de imóveis utilizando recursos da poupança. Nas linhas de crédito com tabela SAC, em que as parcelas diminuem ao longo do tempo, o valor da entrada exigida passará de 20% para 30% do valor total do imóvel.

No sistema Price, com parcelas fixas, o percentual de entrada será elevado de 30% para 50%. Na prática, quem pretende adquirir um imóvel financiado pela Caixa precisará desembolsar um valor inicial maior.

Essa mudança ocorre em meio à escassez de recursos provenientes da poupança e às condições mais restritivas para emissões de Letras de Crédito Imobiliário (LCI), que são duas das principais fontes de financiamento imobiliário. Assim, a estratégia da Caixa para o curto prazo é restringir o acesso ao crédito, enquanto aguarda uma possível melhoria na captação de recursos no próximo ano, o que poderia levar à revisão dessas regras.

O banco está tentando evitar um aumento nas taxas de juros cobradas dos clientes, mas dependendo da capacidade de continuar emitindo LCI, as regras poderão ser flexibilizadas novamente. A expectativa é que, no início de 2025, as regras para a tabela SAC possam voltar aos níveis anteriores, enquanto para o sistema Price, essa reversão é menos provável.

Demanda aquecida

Essas medidas são vistas pela Caixa como uma forma de manter o crescimento no setor de crédito imobiliário sem recorrer ao aumento de juros. Para 2024, a Caixa projetou um crescimento de 12% no financiamento habitacional, mas até setembro de 2024, o banco já alcançou um volume de R$ 175 bilhões, um aumento de 28,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram financiados 627 mil imóveis, e a carteira de crédito habitacional da Caixa já ultrapassou R$ 800 bilhões.

Esse desempenho positivo foi impulsionado por linhas de crédito com recursos do FGTS, além de um aumento da demanda por financiamentos na Caixa, visto que outros bancos estão restringindo suas ofertas devido aos altos juros. Isso tem feito com que muitos consumidores optem pela Caixa, que continua oferecendo as menores taxas possíveis.

Outro fator que afeta o setor é o aumento no prazo médio de amortização dos financiamentos, que passou de 10 para 12 anos. Com a Selic em níveis elevados, muitos clientes preferem investir em títulos atrelados ao CDI, em vez de antecipar o pagamento de parcelas do financiamento, onde as taxas de juros são mais baixas.

Em resposta, a Caixa informou que está continuamente avaliando novas medidas para atender à crescente demanda por financiamentos habitacionais, participando de discussões com o mercado e o governo em busca de soluções que permitam expandir o crédito imobiliário no país.

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