Vendas de materiais de construção devem crescer 4,5% com impulso do mercado imobiliário

A previsão de vendas da indústria de materiais de construção subiu para 4,5% em 2024, impulsionada pelo crescimento da economia, aumento de lançamentos imobiliários e demanda por reformas
A previsão de vendas da indústria de materiais de construção subiu para 4,5% em 2024, impulsionada pelo crescimento da economia, aumento de lançamentos imobiliários e demanda por reformas
Vendas de materiais de construção devem crescer 4,5% com impulso do mercado imobiliário

Matéria publicada originalmente por Circe Bonatelli, O Estado de S. Paulo – A estimativa de crescimento para as vendas da indústria de materiais de construção no Brasil foi ajustada de 3% para 4,5% em 2024, devido ao desempenho mais robusto da economia nacional do que o inicialmente previsto.

Os dados, corrigidos pela inflação, foram elaborados pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) em conjunto com a Fundação Getulio Vargas (FGV) e divulgados com exclusividade pelo Broadcast.

Este é o segundo reajuste da previsão de vendas no setor ao longo do ano. No início de 2024, a projeção era de 2%, mas em junho já havia sido elevada para 3%.

Em setembro, a indústria de materiais de construção apresentou um crescimento expressivo de 10,3% em relação ao mesmo mês do ano passado, conforme levantamento da Abramat e FGV. No acumulado do ano, as vendas registraram um aumento de 5% em comparação ao mesmo período de 2023.

O bom desempenho é impulsionado, principalmente, pela alta de 8,4% nas vendas de materiais de acabamento, que incluem tintas, revestimentos, louças e pedras. Já os materiais de base, como vergalhões, cimento e tijolos, cresceram 3% no período.

O setor da construção civil tem sido uma importante fonte de demanda para esses materiais, com um aumento significativo nos lançamentos e vendas de imóveis, especialmente no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).

Além disso, o varejo também tem contribuído positivamente para o setor, com o aumento do consumo de materiais de construção por famílias que realizam reformas e pequenas obras. Esse cenário foi favorecido pelo recorde de empregos, a inflação sob controle e a queda nos juros ao longo do ano.

Outro fator relevante foi o impacto das enchentes no Rio Grande do Sul, que gerou uma demanda adicional por materiais de construção para reformas e reconstruções de casas, rodovias, pontes e outras infraestruturas danificadas.

Efeitos da alta dos juros nas vendas de materiais de construção

Por outro lado, a retomada do ciclo de alta dos juros pode trazer desafios para o setor. O consumo de materiais de construção pelas famílias tende a ser afetado, já que muitas das compras dependem de crédito.

Mesmo assim, o levantamento revelou que 64% dos empresários do setor pretendem continuar investindo nos próximos 12 meses. Metade planeja modernizar suas fábricas, enquanto a outra metade busca expandir a capacidade produtiva. Atualmente, a utilização da capacidade instalada da indústria de materiais de construção é de 79%, o maior nível em mais de um ano.

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