Setor imobiliário pressiona governo por medidas para evitar impacto da alta dos juros em 2025
Matéria publicada originalmente por Diego Felix, Folha de S. Paulo – O setor imobiliário inicia 2025 em alerta, pressionado pela expectativa de alta dos juros e pelas indefinições econômicas do governo federal. Representantes do setor estão mobilizados para atuar nos bastidores junto à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o objetivo de evitar impactos negativos nos segmentos habitacionais de média renda. Entre as principais preocupações está o aumento das taxas de juros aplicadas aos financiamentos, que pode comprometer o acesso ao crédito e o ritmo de vendas no mercado imobiliário.
Medidas prioritárias para o setor
Três temas são considerados fundamentais pelo setor para garantir um respiro à indústria da construção:
- Redução do compulsório da poupança, de 20% para 15%, o que liberaria até R$ 60 bilhões para financiamento habitacional.
- Diminuição do prazo das Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) para atrair mais investimentos.
- Revisão do saque-aniversário do FGTS, buscando destravar recursos para habitação.
A disputa pelo financiamento habitacional
O setor imobiliário teve um ano aquecido em 2024, registrando o segundo maior volume de financiamentos desde 2020, com R$ 312,4 bilhões em crédito liberado, segundo a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).
Com a redução da Selic ao longo do ano passado, o financiamento de imóveis cresceu 13,8% em relação a 2023, atingindo 568,2 mil unidades financiadas. O pico ocorreu em agosto, com R$ 18,4 bilhões em financiamentos, quando a taxa de juros estava em 10,4% ao ano.
Agora, o setor teme que uma nova alta dos juros reduza a oferta de crédito, tornando os financiamentos mais caros e afastando compradores, principalmente aqueles que buscam imóveis acima de R$ 350 mil, que não são contemplados pelo programa Minha Casa Minha Vida.
FGTS e a disputa pelo saque-aniversário
Outro ponto de tensão envolve o FGTS, que possui um orçamento de R$ 142,3 bilhões para 2025 destinado a obras de habitação e infraestrutura. No entanto, cerca de R$ 140 bilhões estão bloqueados em antecipações do saque-aniversário, impedindo que esses valores sejam direcionados para o setor imobiliário.
A proposta de uma nova linha de crédito consignado, que substituiria a antecipação do saque-aniversário, encontra resistência dos bancos, que preferem manter o modelo atual. Já o setor da construção vê a mudança como essencial para ampliar os recursos disponíveis para habitação.
Aumento de custos e impacto no mercado
Além do custo do crédito, a indústria da construção também enfrenta o aumento dos custos operacionais. Em 12 meses até janeiro, a inflação do setor, medida pela FGV, atingiu 6,7%, impactada pela alta da mão de obra e dos materiais de construção.
Se o cenário econômico se deteriorar, construtoras já avaliam adiar lançamentos, o que pode afetar segmentos como o Minha Casa Minha Vida. Apesar de operar com regras definidas pelo governo, a habitação popular pode sentir os efeitos indiretos de um mercado mais restrito e com crédito menos acessível.
Perspectivas para o mercado imobiliário em 2025
Diante desse cenário, o setor segue pressionando o governo por medidas que aliviem o impacto da política monetária no mercado imobiliário. Enquanto isso, especialistas avaliam que o crescimento do setor dependerá da capacidade de manter o crédito acessível, garantindo financiamento tanto para habitação popular quanto para imóveis de média renda.


