MRV projeta VGV de R$ 11 bi em 2025 e mira crescimento na incorporação nacional
Matéria publicada originalmente por Ana Luiza Tieghi, Valor – A MRV&Co revelou suas projeções para 2025 com uma estratégia voltada ao fortalecimento da incorporação nacional. A empresa estima um crescimento de 17,5% no volume de lançamentos para o próximo ano, atingindo R$ 11 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), somando os empreendimentos das marcas MRV e Sensia. As expectativas foram divulgadas durante encontro com investidores, realizado na quarta-feira (16).
De acordo com Thiago Ely, diretor comercial da companhia, a perspectiva é de que o setor de incorporação nacional seja responsável por uma geração de caixa entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões no período. Já Ricardo Paixão, CFO da MRV, complementou a visão estratégica da holding com uma estimativa de geração de caixa de R$ 2,1 bilhões — resultado que inclui outras operações do grupo, como a americana Resia, a loteadora Urba e a Luggo, especializada em imóveis para renda.
A Resia, por sua vez, deve contribuir com US$ 270 milhões. Já na operação nacional, o guidance aponta lucro líquido entre R$ 650 milhões e R$ 750 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 100,5 milhões registrado em 2024. A companhia também projeta margem bruta entre 29% e 30%, superior aos 26,4% do último exercício.
Além disso, a Receita Operacional Líquida (ROL) para o próximo ano é estimada entre R$ 9,5 bilhões e R$ 10,5 bilhões, um avanço expressivo em relação aos R$ 8,4 bilhões registrados em 2024. A expectativa é de redução na dívida líquida da operação brasileira, que deve encerrar 2025 em R$ 1,69 bilhão — retração de 26% frente ao final de 2024. A alavancagem, medida pela relação dívida líquida/Ebitda em 12 meses, deve cair de 1,84 vez para 0,79 vez.
Impacto positivo das mudanças no MCMV
As recentes alterações no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), anunciadas no dia 15, também trazem perspectivas otimistas para a empresa. A criação de uma nova faixa de renda, voltada a famílias com renda mensal entre R$ 8.600 e R$ 12 mil, amplia significativamente o mercado potencial da MRV, segundo o co-CEO Rafael Menin. Com isso, a fatia do negócio fora do programa habitacional tende a se tornar residual.
Com as novas regras, o limite da faixa 1 subiu para R$ 2.850; a faixa 2 passou a abranger até R$ 4.700 e a faixa 3, até R$ 8.600. A recém-criada faixa 4, com juros de 10% ao ano, permite ao comprador ampliar sua capacidade de aquisição em até R$ 37 mil, de acordo com Ely. A empresa já conta com 3,7 mil unidades em estoque e 6,6 mil no banco de terrenos voltados a essa nova faixa — um VGV total de R$ 4,2 bilhões. As contratações devem começar em maio.
A nova regulamentação também permite que consumidores de faixas inferiores adquiram imóveis de faixas superiores, desde que isso se adeque ao orçamento familiar. Ely considera essa mudança fundamental, pois amplia em até cinco vezes o estoque acessível à faixa 1 e em 65% o da faixa 2.
Resultados operacionais e ajustes estratégicos
Na prévia operacional divulgada na terça-feira (15), a MRV apresentou crescimento nos lançamentos em relação ao primeiro trimestre de 2024, mas com vendas estáveis. Isso reduziu o índice de Vendas Sobre Oferta (VSO) em 8,1 pontos percentuais, para 25%.
Apesar da melhora na eficiência de caixa, a companhia ainda registrou queima na incorporação nacional de R$ 125,2 milhões — abaixo dos R$ 372,7 milhões do mesmo período de 2024. Já a operação da Resia consumiu US$ 59 milhões, ante US$ 53,8 milhões anteriormente.
Durante o evento com investidores, Menin admitiu que a performance recente ficou aquém do esperado e que a empresa está passando por uma “recalibragem estratégica”, reduzindo sua presença de 130 para 80 cidades no Brasil, reorganizadas em 28 núcleos regionais. A reestruturação também visa diminuir o estoque de terrenos pagos — atualmente em R$ 2,39 bilhões — para R$ 1 bilhão até 2029, como parte de um plano de sustentabilidade financeira de longo prazo.


