Crescimento da construção civil é elevado para 3,5% pela CBIC
Matéria publicada originalmente por Agência CBIC – A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) anunciou nesta segunda-feira, 28/10, uma revisão otimista na projeção de crescimento da construção civil para 2024, aumentando de 3% para 3,5% a expectativa de avanço. O mercado de trabalho aquecido, a boa performance do segmento imobiliário de padrão econômico e o fortalecimento da economia nacional são fatores que sustentaram essa revisão positiva para o setor.
Contudo, a CBIC destaca alguns obstáculos que podem limitar esse crescimento, como o risco de novas elevações na taxa de juros, impactando negativamente a intenção de investir, e uma possível restrição na oferta de crédito imobiliário.
Fatores que sustentaram a revisão incluem:
- Economia em expansão: As estimativas mais recentes do Banco Central indicam um crescimento de 3,05% para o Brasil, acima das expectativas anteriores.
- Força do mercado de trabalho: Nos primeiros oito meses de 2024, o país registrou mais de 1,7 milhão de novos empregos com carteira assinada.
- Desempenho do mercado imobiliário econômico: A demanda por imóveis mais acessíveis tem sido um dos pilares do crescimento.
- Expectativas dos empresários: Há um otimismo quanto ao lançamento de novos empreendimentos, criação de empregos e aquisição de insumos no setor.
Esses dados foram apresentados em uma coletiva online pela CBIC, onde também foram discutidos o desempenho econômico do setor no terceiro trimestre de 2024 e as perspectivas futuras, abrangendo a criação de empregos, custo de construção e os principais desafios enfrentados pela construção civil.
Cenário positivo e desafios para o setor
A Sondagem da Indústria da Construção, realizada pela CNI com a CBIC, destacou que a atividade no setor foi maior no terceiro trimestre de 2024 do que no mesmo período do ano anterior. A confiança dos empresários da construção também cresceu, impulsionada por avaliações mais positivas sobre as condições atuais e expectativas para os próximos meses.
Após analisar o terceiro trimestre, os Indicadores Econômicos Nacionais da CBIC apontam os principais desafios para o setor, incluindo:
- Alta carga tributária: As cargas fiscais elevadas afetam o setor, especialmente em um contexto de reformas que podem não atender plenamente às suas necessidades.
- Escassez de mão de obra qualificada: A falta de profissionais especializados limita o crescimento e a produtividade.
- Juros elevados: Taxas altas dificultam o acesso ao crédito, impactando financiamentos e compras de imóveis.
- Recursos do FGTS e poupança: A captação líquida reduzida, causada pela alta da Selic, afeta negativamente o crédito imobiliário.
- Custo da construção: Materiais e mão de obra seguem em alta, reduzindo as margens de lucro.
Essa análise foi reforçada pelos dados da Sondagem da Indústria da Construção, também divulgados nesta segunda-feira, 28/10.
Aquecimento na demanda por insumos e mercado de trabalho em alta
Dados recentes mostram o dinamismo do setor da construção civil nos últimos meses. A produção de materiais de construção registrou alta de 4,3% entre janeiro e agosto de 2024, em comparação ao ano anterior, e o faturamento da indústria de materiais subiu 10,3% em setembro.
O mercado imobiliário também teve desempenho positivo, com lançamentos crescendo 5,7% no primeiro semestre de 2024 e vendas aumentando 15,24%. No mercado de trabalho, o número de trabalhadores formais na construção civil subiu 5,24% em 12 meses, alcançando 2,961 milhões de empregados com carteira assinada em agosto de 2024, maior patamar desde 2014.
Desde 2021, o setor cria, em média, mais de 210 mil empregos formais por ano entre janeiro e agosto, representando 6,27% dos trabalhadores formais do Brasil. O setor responde por mais de 12% das novas vagas geradas e tem o terceiro maior salário de admissão. Com a alta demanda, os salários também cresceram, e a componente de mão de obra no Índice Nacional da Construção Civil (INCC) subiu 7,7% nos últimos 12 meses, pressionando os custos do setor.


