Caixa eleva juros do financiamento imobiliário para até 12%
Matéria publicada originalmente por Diego Felix, Folha de S. Paulo – A Caixa Econômica Federal anunciou um aumento significativo nas taxas de juros do financiamento imobiliário fora do programa Minha Casa, Minha Vida.
As novas taxas passaram de 8,99% para 10,99% ao ano, com vigência desde o dia 2 de janeiro, conforme comunicado do banco, que atribuiu a mudança a “fatores mercadológicos”. Em algumas linhas ajustadas pela Taxa Referencial (TR), os juros podem atingir até 12% ao ano, com um prazo máximo de financiamento de 420 meses.
As modalidades de financiamento que utilizam a poupança da Caixa agora possuem taxas entre 4,12% e 5,06%, contra os antigos 3,10% a 3,99%, mantendo o mesmo prazo de pagamento. Já para as linhas baseadas no CDI, as taxas oscilam entre 114% e 120% do CDI, com um prazo máximo de 360 meses. Segundo a Caixa, essas alterações visam refletir as condições de mercado e as diretrizes prudenciais para a concessão de crédito.
Por outro lado, os programas de financiamento vinculados ao FGTS, que integram o Minha Casa, Minha Vida, mantêm as mesmas condições anteriores, com taxas entre 4% e 8,16% para famílias com renda bruta de até R$ 8.000.
Este ajuste na taxa de juros de financiamento imobiliário pela Caixa acompanha a tendência de outros grandes bancos, como Itaú, Santander e Bradesco, que também elevaram suas taxas no final do ano passado. Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) mostram que, de janeiro a novembro, os financiamentos via Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) totalizaram R$ 169,1 bilhões, um aumento de 23% em comparação ao mesmo período de 2023.
Apesar do crescimento, a alta da Selic em 2024, utilizada pelo Banco Central para conter a inflação, impactou negativamente o setor. O aumento da Selic torna o crédito imobiliário mais caro e menos acessível, o que pode desestimular novos financiamentos e desacelerar o mercado.
A combinação de taxas mais elevadas e a redução do teto de financiamento pela Caixa, além da diminuição dos recursos para a linha Pró-Cotista em 2025, apresenta desafios adicionais para aqueles que desejam adquirir imóveis financiados.


