Construtoras buscam atrair compradores mesmo com atrasos nas obras da Linha 6-Laranja
Matéria publicada originalmente por Luana Franzão, Folha de S. Paulo – Com o adiamento das obras da linha 6-laranja do metrô de São Paulo, construtoras que possuem projetos nas proximidades tentam atrair compradores oferecendo benefícios além da simples proximidade com as futuras estações. Originalmente programada para ser inaugurada em 2025, a nova linha do metrô agora pode enfrentar atrasos de até três anos.
A linha 6-laranja, que começa na zona norte, passa por bairros como Perdizes, Higienópolis, Pacaembu, Pompeia, e Bela Vista, áreas que atraem o interesse da classe média e alta paulistana. Embora a proximidade com uma estação de metrô seja um diferencial, algumas construtoras alegam que esse não é o principal atrativo de seus empreendimentos.
Lucas Araújo, diretor de inteligência de mercado e marketing da Trisul, que está desenvolvendo projetos na região de Perdizes, ao lado da futura estação PUC-Cardoso de Almeida, afirma que a empresa nunca contou com a estação de metrô como um ponto de venda primário. “A proximidade do metrô é apenas um bônus”, disse ele. O empreendimento The Collection Perdizes, da Trisul, incluirá unidades tipo estúdio e apartamentos de um dormitório, e sua entrega está prevista para julho de 2025, data que coincide com o prazo inicial de abertura das estações.
Apesar de minimizarem a importância do metrô, o material promocional da Trisul ainda destaca a mobilidade como um dos principais atrativos do empreendimento. Curiosamente, o site da construtora não menciona o nome da futura estação, que estará a apenas 450 metros do edifício. Além disso, o prédio não terá vagas de garagem, reforçando a aposta na proximidade com o transporte público.
Outro exemplo é a construtora Vinx, que está investindo na área próxima à futura estação 14 Bis, na Bela Vista. O empreendimento Connect Paulista, também composto por estúdios e apartamentos de um dormitório, destaca como vantagem a proximidade com a icônica avenida Paulista. Em vez de mencionar a 14 Bis, que fica a apenas 200 metros, a Vinx prefere divulgar a distância até as estações Trianon-Masp e Consolação, localizadas a cerca de 1,1 km e 1,2 km, respectivamente. Ronaldo Santoro, diretor comercial da Vinx, ressalta que a proximidade com os hospitais Sírio Libanês e Nove de Julho é um dos principais atrativos, e afirma que o projeto não está vinculado diretamente à linha laranja do metrô.
Além da Trisul e da Vinx, outras construtoras como Cury, Vivaz e Conx também estão investindo nas proximidades das futuras estações do ramal. A revisão do Plano Diretor de São Paulo, realizada em 2023, incentivou o desenvolvimento de moradias próximas aos eixos centrais de transporte público, como o metrô. Na nova versão do plano, o raio para construção de edifícios mais altos foi ampliado para até 700 metros das estações, permitindo a criação das chamadas Zonas de Eixo de Estruturação da Transformação Urbana (ZEUs), que promovem a construção sem limite de andares em áreas próximas ao transporte público.
Desde que o traçado da linha laranja foi anunciado, em 2016, e o Plano Diretor estabelecido, em 2014, os arredores do novo ramal se tornaram alvo de interesse para o desenvolvimento imobiliário. A ideia por trás do zoneamento é aumentar a densidade de moradias perto do transporte público, preservando áreas mais residenciais.
No entanto, críticos da legislação apontam que o incentivo à verticalização pode elevar os preços dos imóveis e empurrar pessoas de menor renda para regiões mais distantes do centro, intensificando a segregação socioeconômica.


