Confiança da construção cai apesar dos indicadores positivos
Matéria publicada originalmente por Rafael Marko, Sinduscon-SP – Diversos indicadores apontam que a atividade da construção continua crescendo em 2025.
Na comparação com 2024, a produção física de insumos da construção acumulou expansão de 4,9% no primeiro bimestre. O faturamento da indústria de materiais registrou crescimento real de 5,7% nos três primeiros meses. A alta nas vendas de cimento no mercado interno foi de 5,9% no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado.
No que diz respeito à produção formal das construtoras, os números do mercado de trabalho (Caged) atestam a dinâmica positiva, resultado do ciclo de negócios dos últimos anos. Nos dois primeiros meses de 2025, as contratações superaram as demissões, gerando um saldo líquido de 79,3 mil postos. Na comparação com igual período do ano passado, o saldo é ligeiramente menor (-2,8%), mas, ainda assim, indica que o setor continua contratando e crescendo.
A despeito dos sinais de crescimento, o humor empresarial não evoluiu de forma positiva nestes primeiros meses do ano. Em abril, o Índice de Confiança das empresas da Construção voltou a regredir e na comparação interanual, apenas as empresas de Infraestrutura não ficaram mais pessimistas.
O paradoxo dessa evolução com sinais trocados da atividade e da confiança encontra resposta no cenário de grande incerteza. Além das dificuldades das empresas com a recorrente escassez de mão de obra e a alta dos juros, as turbulências externas não têm contribuído para amenizar a situação, muito pelo contrário. O que, certamente, dificulta ainda mais as decisões de investimento.
Por outro lado, vale destacar as recentes mudanças no Programa Minha Casa, Minha Vida, que ganhou mais recursos e uma nova faixa de renda, que irá favorecer a classe média. Isso significa que as perspectivas de crescimento setorial acima do PIB continuam mantidas.


